Teleosaurus
Teleosaurus (do grego τέλειος téleios, 'perfeito' e σαῦρος saûros, 'lagarto') é um gênero extinto de crocodiliforme teleosaurídeo encontrado na formação Calcaire de Caen [en], na França, datada do Jurássico Médio. Ele media aproximadamente 3 metros de comprimento. O holótipo é MNHN AC 8746, um quarto de um crânio e outros restos pós-cranianos associados, enquanto outros espécimes fragmentários também são conhecidos. A espécie tipo é Teleosaurus cadomensis, mas uma segunda espécie, T. geoffroyi, pode também existir. Anteriormente, era considerado um táxon lixeira, com muitos outros restos atribuídos ao gênero.
Teleosaurus
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| Ocorrência: Bajociano–Batoniano, 171–164 Ma | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Género-tipo | |||||||||||||||||||
| †Teleosaurus cadomensis (Lamouroux, 1820) | |||||||||||||||||||
| Outras espécies | |||||||||||||||||||
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| Sinónimos | |||||||||||||||||||
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Teleosaurus (do grego τέλειος téleios, 'perfeito' e σαῦρος saûros, 'lagarto')[1] é um gênero extinto de crocodiliforme teleosaurídeo encontrado na formação Calcaire de Caen [en], na França, datada do Jurássico Médio.[2] Ele media aproximadamente 3 metros de comprimento.[3] O holótipo é MNHN AC 8746, um quarto de um crânio e outros restos pós-cranianos associados, enquanto outros espécimes fragmentários também são conhecidos.[4] A espécie tipo é Teleosaurus cadomensis,[5] mas uma segunda espécie, T. geoffroyi, pode também existir.[6] Anteriormente, era considerado um táxon lixeira, com muitos outros restos atribuídos ao gênero.[7][4]
História
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Os restos mortais de teleossauros são conhecidos pela ciência desde pelo menos 1758,[8][9] embora no início os cientistas acreditassem que os restos pertencessem a crocodilos e aligátores extintos, e os restos que em determinado momento foram atribuídos a Teleosaurus (e a Steneosaurus [en]) são conhecidos pela ciência desde pelo menos 1800.[10][11] O holótipo foi descoberto durante o início do século XIX por Pierre Tesson antes de trocá-lo com Lamoroux. Teleosaurus foi brevemente observado por Jean Vincent Félix Lamouroux em 1820 como Crocodilus cadomensis e, em seguida, ele enviou o espécime a Georges Cuvier.[12] Ele foi totalmente descrito por Cuvier em 1824,[13] mas não foi publicado até um ano depois por Étienne Geoffroy Saint-Hilaire.[5]

A segunda espécie atribuída a Teleosaurus, T. soemmeringii (hoje sinônimo de T. cadomensis), foi nomeada em 1829.[14] Em 1842, T. asthenodeirus foi nomeado.[15] T. minimus e T ornati foram nomeados em 1852 e, atualmente, são firmemente considerados sinônimos de T. cadomensis.[16] Friedrich August von Quenstedt também adicionou a espécie T. lacunosae alguns anos mais tarde, em 1858. Eudes-Deslongchamps prosseguiu em 1868, nomeando as duas espécies T. geoffroyi e T. gladius - ambas são baseadas em restos destruídos em Caen em 1944. A espécie T. geoffroyi, descrita com base em fragmentos mandibulares hoje destruídos, foi considerada uma espécie válida por Vignaud (1995),[17] mas foi tornada um provável sinônimo de T. cadomensis em 2020.[4] Richard Owen acrescentou as espécies T. brevior e T. latifrons ao gênero Teleosaurus em 1884.[18]
Em 2019, a taxonomia da superfamília Teleosauroidea [en] foi revisada e a espécie T. cadomensis foi considerada a única espécie válida.[7] As demais espécies conhecidas foram englobadas em T. cadomensis ou em outros gêneros.[7][4] Este estudo foi publicado em outubro de 2020.[4]
Descrição
[editar | editar código]Teleosaurus tinha mandíbulas bastante alongadas, similares às de um gavial moderno.[15] Apresentava um corpo longo e esguio, com uma cauda sinuosa que o teria ajudado a se impulsionar na água. Seus membros anteriores eram visivelmente curtos e possivelmente eram mantidos rentes ao corpo durante o nado para melhorar a aerodinâmica do animal. Diferente dos crocodilianos modernos, habitava o oceano aberto e muito possivelmente capturava peixes e lulas com seus dentes afiados, parecidos com agulhas.[19]
Restos conhecidos
[editar | editar código]Teleosaurus cadomensis é conhecido a partir dos seguintes espécimes:[4]
- MNHN AC 8746 (holótipo): um quarto de um crânio e outros restos pós-cranianos associados
- NHMUK PV OR 119a: osteodermas dorsais
- NHMUK PV R 4207: osteodermas dorsais
- NHMUK PV OR 32588: vértebras dorsais, sacrais e caudais
- NHMUK PV OR 32657: fêmur
- NHMUK PV OR 32680: ísquio
- NHMUK PV OR 33124: sínfise mandibular
- NHMUK PV OR 39788: rostro parcial
- NHMUK PV R 880 e NHMUK PV R 880a: moldes adicionais
Referências
[editar | editar código]- ↑ Roberts, George (1839). An etymological and explanatory dictionary of the terms and language of geology (em inglês). London: Longman, Orme, Brown, Green, & Longmans. p. 169. Consultado em 1 de janeiro de 2022
- ↑ Weishampel, David B; et al. (2004). "Dinosaur distribution (Middle Jurassic, Europe)." In: Weishampel, David B.; Dodson, Peter; and Osmólska, Halszka (eds.): The Dinosauria, 2nd, Berkeley: University of California Press. Pp. 538–541. ISBN 0-520-24209-2.
- ↑ P. H. Phizackerley (1951). A revision of the Teleosauridae in the Oxford University Museum and the British Museum. The Annals and Magazine of Natural History 12(4): 1170–1192.
- ↑ a b c d e f Johnson, Michela M.; Young, Mark T.; Brusatte, Stephen L. (2020). «The phylogenetics of Teleosauroidea (Crocodylomorpha, Thalattosuchia) and implications for their ecology and evolution». PeerJ. 8. PMC 7548081
. PMID 33083104. doi:10.7717/peerj.9808
- ↑ a b Geoffroy Saint-Hilaire, É. (1825) Recherches sur l'organisation des gavials. Mém Mus Natl Hist Nat 12: 97–155.
- ↑ P. H. Phizackerley. (1951). A revision of the Teleosauridae in the Oxford University Museum and the British Museum. The Annals and Magazine of Natural History 12(4):1170-1192
- ↑ a b c «The taxonomy, systematics and ecomorphological diversity of Teleosauroidea (Crocodylomorpha, Thalattosuchia), and the evaluation of the genus 'Steneosaurus'». Archives of the University of Edinburgh (em inglês). 2019
- ↑ Chapman, W. (1758) An account of the fossile bones of an allegator, found on the sea-shore, near Whitby in Yorkshire. Philosophical Transactions of The Royal Society of London 50:688-691
- ↑ Morton, C. & Wooler, M. (1758) A Description of the Fossil Skeleton of an Animal Found in the Alum Rock Near Whitby. Philosophical Transactions (1683–1775) 50:786-790
- ↑ Cuvier, G. (1800) On a new species of fossil crocodile [em francês] Bulletin de la Sociéte philomatique de Paris 2:159
- ↑ Cuvier, G. (1808) On the fossil bones of crocodiles: and especially on those around Le Havre and Honfleur, with remarks on the skeletons of the saurians of Thuringia [em francês] Annales du Muséum d'histoire naturelle 12:73-110
- ↑ Lamouroux, M (1820) Sur le crocodile fossile trouvé dans les carrières du Bourg d'Allemagne, a un quart de lieue de Caen. Annales générales des Sciences physiques.
- ↑ Cuvier, G. (1824) Article IV Des os de deux espèces inconnues de Gavials; trouvés pêle-mêle près de Honfleur et du Hâvre. Sur les Ossemens Fossiles. Nouvelle édition, Tome Cinquieme, Partie 2 Paris: Dufour & d'Occagne. 143–160.
- ↑ F. Holl. (1829). Handbuch der Petrefactenkunde, mit einer Einleitung über die Vorwelt der organischen Wesen auf der Erde von Dr. Ludwig Choulant 1:1-115
- ↑ a b R. Owen (1842). Report on British fossil reptiles, part II. Report of the British Association for the Advancement of Science 11: 60-204.
- ↑ Von Quenstedt, F. A. (1852). Handbuch der Petrefaktenkunde. Tübingen: Laupp.
- ↑ Vignaud, P. (1995). "The Thalattosuchia, Mesozoic marine crocodiles: phylogenetic systematics, paleoecology, biochronology and palaeogeographical implications." Unpublished PhD thesis, University of Poitiers p.410
- ↑ R. Owen. (1884). A History of British Fossil Reptiles, Part III. 1-199
- ↑ Palmer, D., ed. (1999). The Marshall Illustrated Encyclopedia of Dinosaurs and Prehistoric Animals. London: Marshall Editions. p. 99. ISBN 1-84028-152-9