SMS Stralsund

O SMS Stralsund foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e a quarta e última embarcação da Classe Magdeburg, depois do SMS Magdeburg, SMS Breslau e SMS Strassburg. Sua construção começou em setembro de 1910 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em novembro de 1911, sendo comissionado na frota alemã em dezembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 105 milímetros, tinha um deslocamento carregado de mais de cinco mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 27 nós. O Stralsund passou seu curto tempo de serviço em tempos de paz realizando treinamentos de rotina junto com a Frota de Alto-Mar. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914, com o navio participando da Batalha da Angra da Heligolândia em agosto de 1914 e da Batalha de Dogger Bank em janeiro de 1915. Depois disso participou de diversas ações de patrulha e criação de campos minados, tanto no Mar do Norte contra forças britânicas quanto no Mar Báltico contra os russos. O cruzador bateu em uma mina naval britânica em fevereiro de 1918 e precisou ficar dois meses sob reparos. A guerra terminou em novembro de 1918 e o navio inicialmente foi mantido pelos alemães, porém após o afundamento da frota alemã em Scapa Flow em 1919 ele acabou sendo entregue para a França como prêmio de guerra. Foi renomeado para Mulhouse e passou por uma pequena reforma, sendo comissionado na Marinha Nacional Francesa em agosto de 1922. Atuou ativamente no Mar Mediterrâneo e no Oceano Atlântico por apenas alguns anos até ser colocado na reserva, onde permaneceu até ser tirado de serviço em fevereiro de 1933 e desmontado em Brest dois anos depois.
| SMS Stralsund | |
|---|---|
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| Operador | Marinha Imperial Alemã |
| Fabricante | AG Weser |
| Homônimo | SMS Stralsund |
| Batimento de quilha | setembro de 1910 |
| Lançamento | 4 de novembro de 1911 |
| Comissionamento | 10 de dezembro de 1912 |
| Descomissionamento | 17 de dezembro de 1918 |
| Destino | Entregue à França |
| Nome | Mulhouse |
| Operador | Marinha Nacional Francesa |
| Homônimo | Mulhouse |
| Aquisição | 3 de agosto de 1920 |
| Comissionamento | 3 de agosto de 1922 |
| Descomissionamento | 15 de fevereiro de 1933 |
| Destino | Desmontado |
| Características gerais | |
| Tipo de navio | Cruzador rápido |
| Classe | Magdeburg |
| Deslocamento | 5 587 t (carregado) |
| Maquinário | 3 turbinas a vapor 16 caldeiras |
| Comprimento | 138,7 m |
| Boca | 13,5 m |
| Calado | 4,46 m |
| Propulsão | 3 hélices |
| 25 800 cv (19 000 kW) | |
| Velocidade | 27,5 nós (50,9 km/h) |
| Autonomia | 5 820 milhas náuticas a 12 nós (10 780 km a 22 km/h) |
| Armamento | 12 canhões de 105 mm 120 minas navais 2 tubos de torpedo de 500 mm |
| Blindagem | Cinturão: 60 mm Convés: 60 mm Torre de comando: 100 mm |
| Tripulação | 18 oficiais 336 marinheiros |
O SMS Stralsund foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e a quarta e última embarcação da Classe Magdeburg, depois do SMS Magdeburg, SMS Breslau e SMS Strassburg. Sua construção começou em setembro de 1910 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em novembro de 1911, sendo comissionado na frota alemã em dezembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 105 milímetros, tinha um deslocamento carregado de mais de cinco mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 27 nós.
O Stralsund passou seu curto tempo de serviço em tempos de paz realizando treinamentos de rotina junto com a Frota de Alto-Mar. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914, com o navio participando da Batalha da Angra da Heligolândia em agosto de 1914 e da Batalha de Dogger Bank em janeiro de 1915. Depois disso participou de diversas ações de patrulha e criação de campos minados, tanto no Mar do Norte contra forças britânicas quanto no Mar Báltico contra os russos. O cruzador bateu em uma mina naval britânica em fevereiro de 1918 e precisou ficar dois meses sob reparos.
A guerra terminou em novembro de 1918 e o navio inicialmente foi mantido pelos alemães, porém após o afundamento da frota alemã em Scapa Flow em 1919 ele acabou sendo entregue para a França como prêmio de guerra. Foi renomeado para Mulhouse e passou por uma pequena reforma, sendo comissionado na Marinha Nacional Francesa em agosto de 1922. Atuou ativamente no Mar Mediterrâneo e no Oceano Atlântico por apenas alguns anos até ser colocado na reserva, onde permaneceu até ser tirado de serviço em fevereiro de 1933 e desmontado em Brest dois anos depois.
Características
[editar | editar código]Os cruzadores rápidos da Classe Magdenburg foram projetados em resposta aos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible, que eram mais rápidos do que os cruzadores rápidos alemães existentes. Para que a velocidade na nova classe fosse aumentada, motores mais potentes foram instalados e seus cascos alongados para terem uma melhor eficiência hidrodinâmica. Além disso, armações longitudinais foram usadas a fim de reduzir peso. A Classe Magdenburg também foi a primeira de cruzadores rápidos alemães com um cinturão de blindagem, necessitado porque canhões mais potentes de 152 milímetros tinham sido adotados como armamento dos cruzadores rápidos britânicos.[1]
O Stransund tinha 138,7 metros de comprimento de fora a fora, boca de 13,5 metros e calado de 4,46 metros à vante. Seu deslocamento normal era de 4 570 toneladas e o deslocamento carregado de 5 587 toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em dezesseis caldeiras Marine que alimentavam três turbinas a vapor Bergmann, cada uma girando uma hélice. As caldeiras queimavam carvão com óleo combustível borrifado para aumentar a taxa de queima. A potência indicada era de 25,8 mil cavalos-vapor (dezenove mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 27,6 nós (51,1 quilômetros por hora), mas durante os testes marítimos produziram 36 018 cavalos-vapor (26 484 quilowatts). Podia carregar até 1,2 mil toneladas de carvão e 106 toneladas de óleo para uma autonomia de 5 820 milhas náuticas (10 780 quilômetros) navegando a doze nós (22 quilômetros por hora). A tripulação era composta por dezoito oficiais e 336 marinheiros.[2][3]
Era armado com doze canhões calibre 45 de 105 milímetros em montagens pedestais individuais, duas lado a lado no castelo de proa, duas lado a lado na popa e quatro em cada lateral à meia-nau.[4] Também tinha dois tubos de torpedo de quinhentos milímetros submersos, um em cada lateral. Podia levar também até 120 minas navais. Seu cinturão de blindagem tinha sessenta milímetros de espessura à meia-nau. O convés era coberto por placas de blindagem de até sessenta milímetros, enquanto a torre de comando era protegida por laterais de cem milímetros.[5][6]
Carreira
[editar | editar código]O Stralsund foi encomendado sob o nome de contrato Ersatz Cormoran, com a intenção de ser um substituto do antigo cruzador desprotegido SMS Cormoran. Seu batimento de quilha ocorreu em setembro de 1910 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em 4 de novembro de 1911; Ernst Gronow, o prefeito da cidade de Stralsund, fez um discurso durante a cerimônia de lançamento. Os trabalhos de equipagem começaram em seguida. O navio foi nomeado em homenagem à predecessora escuna SMS Stralsund e foi comissionado no serviço ativo em 10 de dezembro de 1912. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de fragata Magnus von Levetzow, porém ele serviu na função apenas brevemente e foi substituído logo em janeiro de 1913 pelo capitão de fragata Victor Harder. O cruzador foi colocado para atuar na Unidade de Navios de Reconhecimento, parte do II Grupo de Reconhecimento, participando pelo decorrer do ano seguinte da rotina de exercícios treinamento e cruzeiros da Frota de Alto-Mar.[2][7]
Primeira Guerra Mundial
[editar | editar código]Primeiras ações
[editar | editar código]A Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial em 3 de agosto de 1914 e duas semanas depois, no dia 16, o Stralsund e seu irmão SMS Strassburg receberam ordens de fazer uma varredura da área de Hoofden em buscas de forças de reconhecimento britânicas, na esperança de surpreender contratorpedeiros em patrulha. A operação foi comandada por Harder e os cruzadores foram acompanhados pelos submarinos SM U-19 e SM U-24, que deveriam emboscar quaisquer forças britânicas que contra-atacassem. As embarcações partiram à noite de 17 de agosto e na manhã seguinte passaram por uma linha de patrulha britânica enquanto ainda estava escuro; eles inverteram seu curso às 4h45min com a intenção de surpreender os contratorpedeiros inimigos. O Stralsund e Strassburg navegaram a uma distância de cinquenta milhas náuticas (93 quilômetros) um do outro com o objetivo de aumentarem suas chances de localizarem as forças britânicas; o Stralsund avistou um grupo de oito a dez contratorpedeiros mais o cruzador rápido HMS Fearless às 6h39min a uma distância de aproximadamente dez quilômetros.[8][9] O Fearless inicialmente confundiu o Stralsund com um cruzador blindado e ordenou que seus contratorpedeiros não atacassem. Por sua vez, o cruzador alemão abriu fogo imediatamente contra os contratorpedeiros mais próximos. Os dois lados atiraram um contra o outro sem muita precisão por meia hora até os vigias alemães avistarem o que acharam ser um segundo cruzador inimigo se aproximando, assim Harder ordenou que recuassem.[10][11]
O comando naval britânico, em resposta ao ataque do Stralsund, decidiu realizar um ataque retaliatório contra as defesas alemãs na área da Angra da Heligolândia usando sua principal força ligeira, a Força de Harwich,[12] o que levou à Batalha da Angra da Heligolândia em 28 de agosto. Cruzadores de batalha e cruzadores rápidos britânicos atacaram uma força de reconhecimento alemã na angra. O Stralsund e o resto do II Grupo de Reconhecimento estavam ancorados em Wilhelmshaven e, assim que relatos de forças britânicas chegaram ao comando naval, eles receberam ordens de zarpar. O Stralsund partiu às 11h30min, seguido pouco depois pelo Strassburg e pelo cruzador rápido SMS Cöln.[13] O Stralsund encontrou três cruzadores rápidos e um cruzador de batalha pouco depois das 14h00min, sendo alvejado mas acertado por apenas um projétil que não detonou; mesmo assim, fragmentos de quase acertos feriram tripulantes. O navio alemão rapidamente fugiu para o sul e então virou para o norte a fim de auxiliar o danificado cruzador rápido SMS Ariadne; o Stralsund e o cruzador rápido SMS Danzig resgataram sessenta marinheiros. Os cruzadores alemães sobreviventes recuaram na névoa e foram reforçados pelos cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento.[14][15] O Stralsund e Danzig retornaram e resgataram a maioria da tripulação sobrevivente do Ariadne.[16]
Bombardeios litorâneos
[editar | editar código]O Stralsund e o cruzador rápido SMS Kolberg escoltaram em 9 de setembro os lança-minas SMS Albatross, SMS Nautilus e SMS Kaiser enquanto criavam campos minados no Mar do Norte. O Stralsund foi transferido temporariamente para o Mar Báltico no final de setembro e participou de uma varredura até a Gotlândia à procura de forças russas. Retornou para o Mar do Norte e para o II Grupo de Reconhecimento, que logo partiu junto com o I Grupo de Reconhecimento para um bombardeio litorâneo da cidade litorânea britânica de Great Yarmouth.[3] A ação ocorreu entre 2 e 3 de novembro e os navios do II Grupo de Reconhecimento deram cobertura para os cruzadores de batalha. Estes bombardearam a cidade enquanto o Stralsund criava um campo minado que afundou um navio civil e o submarino HMS D5 enquanto este navegava para interceptar os alemães. A esquadra voltou para casa tranquilamente.[17] O II Grupo de Reconhecimento partiu de novo com o I Grupo no dia 20 para uma patrulha que transcorreu sem incidentes.[3]
Outro ataque com cruzadores de batalha aconteceu em 15 e 16 de dezembro,[3] desta vez contra as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. O I e II Grupos de Reconhecimento zarparam às 3h20min do dia 15, navegando para o norte por canais em campos minados, passando pela Heligolândia e Horns Rev, então virando para o oeste em direção do litoral britânico.[18] As esquadras de batalha da Frota de Alto-Mar zarparam durante a tarde do dia 15. Estes navios encontraram contratorpedeiros britânicos à noite e o almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da frota, temendo a possibilidade de um ataque de torpedos noturno, deu ordem para uma recuada.[19] Os cruzadores de batalha realizaram o bombardeio mesmo assim,[20] não sabendo que a Frota de Alto-Mar tinha recuado, e depois deram a volta a fim de se encontrarem com a frota.[21]
Os cruzadores de batalha britânicos nesta altura estavam posicionados para bloquear a rota de saída dos alemães, com outras forças também estando à caminho para completarem o cerco. Os cruzadores rápidos do II Grupo de Reconhecimento começaram a passar pelas forças britânicas às 12h25min à procura dos seus cruzadores de batalha. Um cruzador rápido britânico avistou o Stralsund e sinalizou para seus cruzadores de batalha, que imediatamente deram a volta em direção aos alemães às 12h30min. Os britânicos presumiram que os cruzadores rápidos eram a vanguarda dos seus cruzadores de batalha, mas estes estavam na verdade aproximadamente cinquenta quilômetros à frente. Os cruzadores rápidos britânicos foram destacados para perseguirem suas contrapartes alemãs, mas interpretaram erroneamente as sinalizações e acabaram retornando para seus cruzadores de batalha. Esta confusão permitiu que os alemães escapassem e alertassem seus cruzadores de batalha, que viraram para nordeste e fugiram.[21]
1915
[editar | editar código]Os britânicos lançaram um ataque aéreo contra a base naval alemã em Cuxhaven e a vizinha Base Aérea de Nordholz em 25 de dezembro. O Stralsund atacou um dos hidroaviões, mas não conseguiu derrubá-lo.[22] O navio e o cruzador rápido SMS Graudenz fizeram uma patrulha do Mar do Norte em 3 de janeiro de 1915, mas não encontraram embarcações britânicas.[3] O Stralsund em seguida participou de uma operação de criação de campos minados próxima do Humber entre 14 e 15 de janeiro junto com o Strassburg.[23] Fez parte da força de reconhecimento do I Grupo de Reconhecimento em 25 de janeiro na Batalha de Dogger Bank. O Stralsund e Graudenz foram designados para a vanguarda da formação, tendo nas laterais os cruzadores rápidos Kolberg e SMS Rostock; cada cruzador tinha o suporte de uma meia-flotilha de barcos torpedeiros. Vigias no Stralsund e Kolberg avistaram fumaça de navios britânicos se aproximando às 8h15min. A principal frota alemã estava no porto e incapaz de prestar auxílio, assim os cruzadores de batalha decidiram recuar em alta velocidade. Entretanto, os cruzadores de batalha britânicos alcançaram os alemães e conseguiram afundar o cruzador blindado SMS Blücher.[24]
O Stralsund retornou ao Báltico para outra operação que ocorreu entre 17 e 28 de março, desta vez tendo como alvo forças russas atacando uma área próxima de Memel. O navio bombardeou no dia 23 posições e concentrações de tropas russas em Polangen, um pouco ao norte de Memel. Voltou logo em seguida para o Mar do Norte em tempo de participar de uma varredura realizada em 29 e 30 de março. Outra operação para criação de campos minados na companhia do Strassburg ocorreu entre 17 e 18 de abril, desta vez perto do Swarte Bank. O II Grupo de Reconhecimento fez uma patrulha da área de Dogger Bank em 17 e 18 de maio. Outra surtida com toda a Frota de Alto-Mar ocorreu entre 29 e 30 de maio, mas novamente nenhuma embarcação inimiga foi encontrada. O Stralsund participou de mais uma varredura em 28 de junho perto de Terschelling, enquanto em 2 de julho foi perto de Horns Rev, ambas sem incidentes. O capitão de fragata Karl Weniger substituiu Harder como oficial comandante no mesmo mês.[7]
O II Grupo de Reconhecimento voltou ao Báltico em agosto para a Batalha do Golfo de Riga. Os navios fizeram patrulha do lado de fora do golfo a fim de impedir que embarcações russas contra-atacassem. O Stralsund foi atacado sem sucesso pelo submarino britânico HMS E1. O cruzador voltou para o Mar do Norte em 29 de agosto. Embarcou 140 minas navais para outra operação de criação de campos minados de 11 a 12 de setembro entre Terschelling e Swarte Bank. Outra surtida da frota ocorreu em 23 e 24 de outubro. Sua última operação do ano foi uma varredura do II Grupo de Reconhecimento em direção ao Skagerrak e Kattegat entre 16 e 18 de dezembro.[3]
1916–1918
[editar | editar código]O Stralsund participou de patrulhas no Mar do Norte em 2 a 3 e em 11 de fevereiro de 1916. Foi destacado no dia 19 para passar por manutenção no Estaleiro Imperial de Kiel.[3] Seus doze canhões de 105 milímetros forma substituídos por sete canhões calibre 45 de 149 milímetros e dois canhões calibre 45 de 88 milímetros.[2] Também teve seu castelo de proa estendido em dez metros para elevar os canhões laterais, enquanto os tubos de torpedo foram transferidos para o convés do meio. Uma estação de controle de disparo noturna foi instalada no telhado da ponte de comando. Os trabalhos duraram até 17 de junho,[3] assim o navio não participou da Batalha da Jutlândia no final de maio.[25] O capitão de mar Hans Gygas assumiu o comando do cruzador em junho. O Stralsund voltou ao serviço em 6 de julho e brevemente atuou como capitânia do contra-almirante Ludwig von Reuter, o comandante do IV Grupo de Reconhecimento, entre os dias 10 e 17. Voltou ao II Grupo de Reconhecimento e foi sua capitânia de 4 de agosto a 30 de outubro, primeiro com o contra-almirante Friedrich Boedicker até 11 de setembro e depois com Reuter. Durante este período participou de uma surtida entre 18 e 20 de agosto,[7] o que resultou na ação de 19 de agosto, um confronto inconclusivo que deixou vários navios de ambos os lados danificados ou afundados por submarinos, mas não uma batalha direta.[26]
O navio embarcou um hidroavião em 12 de setembro que foi usado operacionalmente pela primeira vez durante uma varredura da frota ao leste de Dogger Bank entre 18 e 20 de outubro. Navegou com a Frota de Alto-Mar em 4 e 5 de novembro para auxiliar os submarinos SM U-20 e SM U-30, que tinham encalhado no litoral da Dinamarca. O Stralsund foi transferido para o IV Grupo de Reconhecimento em 2 de dezembro e se tornou a capitânia do contra-almirante Karl Seiferling, porém ele permaneceu a bordo por apenas nove dias. O navio fez uma patrulha no Fisher Bank entre 27 e 28 de dezembro. As embarcações do IV Grupo de Reconhecimento realizaram em 10 de janeiro de 1917 uma operação de criação de campos minados entre a Heligolândia e Norderney, sendo reforçados pelo Danzig. O comodoro Max Hahn assumiu o IV Grupo de Reconhecimento cinco dias depois e fez do Stralsund sua capitânia.[27] O cruzador passou os meses seguintes fazendo patrulhas no sul do Mar do Norte, mas fez uma passagem no Estaleiro Imperial de Kiel de 7 de agosto a 15 de outubro para consertar suas turbinas. Hahn usou o cruzador rápido SMS Regensburg como sua capitânia durante esse período.[28]

O Stralsund voltou ao serviço em 22 de outubro e foi enviado para Libau, no Báltico. A Operação Albion, um ataque anfíbio contra as ilhas do Golfo de Riga, já tinha terminado em vitória alemã, assim o navio voltou rapidamente para o Mar do Norte. O capitão de mar Paul Heinrich, o comandante da I Flotilha de Barcos Torpedeiros, usou o cruzador como sua capitânia de 11 a 20 de novembro. Duas varreduras no Mar do Norte ocorreram durante este período em 12 e 17 de novembro.[28] O Stralsund bateu em uma mina naval britânica em 2 de fevereiro de 1918 enquanto dava cobertura para draga-minas no Mar do Norte. Dois compartimentos estanques foram inundados, porém conseguiu navegar de volta para Wilhelmshaven. O couraçado SMS Kaiser e vários outros navios navegaram para escoltar o Stralsund. Os reparos foram realizados entre 4 de fevereiro e 25 de abril,[28][29] assim o navio não estavam disponível para uma grande operação em 23 e 24 de abril que tentou interceptar um comboio britânico seguindo para a Noruega.[30]
Ao voltar ao serviço participou de exercícios no Báltico junto com o IV Grupo de Reconhecimento em 27 de abril. Foi designado em 16 de maio como a capitânia do contra-almirante Hugo Meurer, o comandante de uma unidade especial que operaria no Báltico Oriental. Foi para Mariehamn no dia 19 e substituiu o Kolberg. Em seguida foi para Helsingfors, na Finlândia, onde o contra-almirante Ludolf von Uslar substituiu Meurer como o comandante das forças navais na área. Pelas semanas navegou por vários portos da região, incluindo Reval, Mariehamn, Hanko, Turku, Windau e Libau. O cruzador partiu para Kiel e depois voltou para o Mar do Norte em 24 de junho. Permaneceu no local até 8 de agosto, quando voltou para o Báltico.[28]
Fim da guerra
[editar | editar código]O Stralsund foi designado para uma nova unidade especial que realizaria a Operação Pedra Angular sob o comando do agora vice-almirante Boedicker. A operação surgiu como resultado da situação militar e política incerta da Rússia em meados de 1918. A Guerra Civil Russa estava em andamento e forças britânicas tinham intervindo no Norte da Rússia, ocupando Murmansk. Os soviéticos, que tinham assinado o Tratado de Brest-Litovski com a Alemanha, pediram ajuda para expulsar os britânicos, enfrentar os Brancos e subjugar os Cossacos do Dom. Apesar dos alemães terem interesse em derrotar os britânicos na Rússia, o alto comando não tinha interesse de lutar contra os Brancos e os Cossacos. A Operação Pedra Angular seria a fase inicial de uma campanha contra a intervenção britânica e começaria com uma ocupação de Petrogrado.[28]
Os navios da Operação Pedra Angular incluíam os couraçados SMS Nassau, SMS Ostfriesland e SMS Thüringen, os cruzadores rápidos Stralsund, Strassburg, Regensburg, Kolberg e SMS Frankfurt, o aviso SMS Blitz, a V Flotilha de Barcos Torpedeiros, um porta-hidroaviões e vários navios de minas e embarcações menores. Os alemães começaram a limpar campos minados no Golfo da Finlândia em 12 de agosto, porém os navios maiores permaneceram em Kiel. Boedicker e sua equipe subiram a bordo do Stralsund quatro dias depois, navegando no mesmo dia para Libau junto com o Strassburg. Os cruzadores foram então para Reval, Helsingfors, Narva, Hungerburg e Björkö. A situação alemã na guerra estava se deteriorando e assim a Operação Pedra Angular foi adiada. O Stralsund foi chamado de volta para a Alemanha, passando no caminho por Helsingfors, Reval e Libau antes de chegar em Kiel. Voltou para o Mar do Norte e chegou em Wilhelmshaven em 9 de setembro, onde Boedicker e sua equipe deixaram o navio.[31]
Voltou para o Báltico em 12 de setembro e quatro dias depois substituiu o Strassburg como navio de guarda em Björkö. Permaneceu no local por mais de um mês, com a Operação Pedra Angular sendo formalmente cancelada em 27 de setembro. A situação alemã nos Bálcãs começou a ruir depois da Ofensiva de Vardar na Frente da Macedônia infligir uma derrota decisiva para as forças alemãs e búlgaras. O antigo navio de defesa de costa SMS Beowulf substituiu o Stralsund em 22 de outubro e o cruzador foi para Helsingfors, onde passou as últimas semanas da guerra. O conflito terminou em novembro e o navio retornou para Kiel, onde foi descomissionado em 17 de dezembro.[32]
Serviço francês
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O Stralsund não foi incluído na frota alemã que deveria ser internada na base britânica de Scapa Flow durante as negociações de paz. Foi permitido que permanecesse na Alemanha e o comando naval esperava que ele poderia ser preservado no pós-guerra. Entretanto, a frota alemã em Scapa Flow foi deliberadamente afundada em junho de 1919, pouco antes da assinatura do Tratado de Versalhes, acabando com essas esperanças.[32][33] Foi especificado que a embarcação deveria ser desarmada e entregue para os Aliados em até dois meses depois da assinatura do tratado.[34] O Stralsund foi removido do registro naval em 5 de novembro de 1919[32] e entregue para a França como prêmio de guerra sob o nome de transação "Z". Deixou a Alemanha em 28 de julho de 1920 junto com o barco torpedeiro SMS 130, chegando em Cherbourg em 3 de agosto. Foi formalmente entregue aos franceses no mesmo dia.[33][35]
Passou por uma pequena reforma depois de chegar na França que consistiu principalmente na substituição de seus canhões de 88 milímetros por armas antiaéreas de 75 milímetros,[36] porém o resto de seu armamento alemão foi mantido. Foi renomeado para Mulhouse em homenagem à cidade homônima na Alsácia que tinha sido retomada da Alemanha no final da guerra. Foi um de quatro antigos cruzadores alemães e austro-húngaros que foram comissionados na Marinha Nacional Francesa na década de 1920. O Mulhouse foi comissionado em 3 de agosto de 1922.[37]
O navio foi designado para a Frota do Mediterrâneo como parte da 3ª Divisão Ligeira junto com os antigos cruzadores rápidos alemães Metz e Strasbourg e o austro-húngaro Thionville.[36] A unidade foi renumerada para a 2ª Divisão Ligeira em dezembro de 1926 e transferida para o Oceano Atlântico em agosto de 1928, porém os cruzadores nessa altura já tinham sido colocados na reserva, pois os primeiros cruzadores franceses do pós-guerra estavam entrando em serviço. O Mulhouse e os outros primeiro ficaram em Brest, mas foram transferidos para Landévennec em 1930. Deixou de ser necessário manter o Mulhouse na reserva e ele foi descartado em 15 de fevereiro de 1933. Foi vendido para desmontagem em setembro,[38] sendo desmontado em Brest em 1935.[39] Seu sino foi devolvido para a Alemanha e hoje está em exibição no Memorial Naval de Laboe.[32]
Referências
[editar | editar código]- ↑ Dodson & Nottelmann 2021, pp. 137–138.
- ↑ a b c Gröner 1990, pp. 107–108.
- ↑ a b c d e f g h Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, p. 202.
- ↑ Campbell & Sieche 1986, pp. 140, 159.
- ↑ Gröner 1990, p. 107.
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- ↑ a b c Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, pp. 201–202.
- ↑ Scheer 1920, p. 42.
- ↑ Staff 2011, pp. 2–3.
- ↑ Goldrick 2015, pp. 96–97.
- ↑ Staff 2011, p. 3.
- ↑ Staff 2011, pp. 3–4.
- ↑ Staff 2011, pp. 13–14.
- ↑ Bennett 2005, pp. 145–150.
- ↑ Staff 2011, pp. 25–26.
- ↑ Scheer 1920, p. 45.
- ↑ Tarrant 2001, pp. 30–31.
- ↑ Tarrant 2001, p. 31.
- ↑ Tarrant 2001, p. 32.
- ↑ Scheer 1920, p. 70.
- ↑ a b Tarrant 2001, p. 34.
- ↑ Barber 2010, p. 48.
- ↑ Staff 2011, p. 83.
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- ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, pp. 202–203.
- ↑ a b c d e Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, p. 203.
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- ↑ Halpern 1995, p. 418.
- ↑ Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, pp. 203–204.
- ↑ a b c d Hildebrand, Röhr & Steinmetz 1993, p. 204.
- ↑ a b Gröner 1990, p. 108.
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- ↑ Dodson & Cant 2020, p. 45.
- ↑ a b Dodson 2017, p. 151.
- ↑ Dodson & Cant 2010, pp. 57, 107.
- ↑ Dodson & Cant 2020, pp. 57–58.
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Bibliografia
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- Campbell, N. J. M. (1998). Jutland: An Analysis of the Fighting. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-1-55821-759-1
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Ligações externas
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