Harry Chess
Harry Chess é o personagem principal da primeira história em quadrinhos ou banda desenhada de temática gay, criado em 1964. Foi concebido e desenhado por Al Shapiro, sob o pseudônimo de A. Jay, como uma paródia do clichê de agente secreto popularizado nos anos 60, como exemplificado por The Man from UNCLE e a franquia James Bond. Em vez dos temas românticos heterossexuais comuns do material de origem, as aventuras de Harry Chess eram abertamente homossexuais, destinadas a atrair leitores gays do sexo masculino.
Harry Chess é o personagem principal da primeira história em quadrinhos ou banda desenhada de temática gay, criado em 1964.[1][2] Foi concebido e desenhado por Al Shapiro, sob o pseudônimo de A. Jay, como uma paródia do clichê de agente secreto popularizado nos anos 60, como exemplificado por The Man from UNCLE e a franquia James Bond. Em vez dos temas românticos heterossexuais comuns do material de origem, as aventuras de Harry Chess eram abertamente homossexuais, destinadas a atrair leitores gays do sexo masculino.[1]
Personagens
[editar | editar código]Harry Chess
[editar | editar código]O nome Harry Chess é um trocadilho que se refere ao seu peito peludo (hairy chest em inglês). Ele tem um rosto longo e fino com um queixo proeminentemente fendido e é um ex-artista de trapézio.[3] A personagem Harry Chess afirmava uma abordagem bem-humorada e positiva ao sexo e à vida gay, algo inédito até então.
Parceiros
[editar | editar código]O seu companheiro de aventuras é o seu irmão adotivo Mickey Muscle, um fisiculturista adolescente desarticulado.[3][1]
Em That Man from AUNTIE, "AUNTIE" significa "Agents' Undercover Network to Investigate Evil", parodiando o anagrama "UNCLE" da série de televisáo, trocando a palavra pela versão feminina auntie (tia em português), a gíria gay afetuosa para um homem gay mais velho.[1] Harry e Mickey mais tarde se tornariam membros da FUGG ("Federal Undercover Gay Goodguys").
Antagonistas
[editar | editar código]Os vilões eram semelhantes às ameaças que os gays enfrentavam na época, sendo alguns representados como estereótipos ou versões mascaradas de personalidades conservadoras, religiosas e abertamente homofóbicas, sempre com um toque de humor. Por exemplo, em uma edição, Harry Chess e Mickey Muscle descobrem uma conspiração para misturar vidro moído em tanques na fábrica “Cay-Why”, uma referência ao K-Y Jelly, um lubrificante sexual. O texto da história em quadrinhos estava cheio de gírias gays, insinuações homoeróticas e duplo sentido que corriam o risco de serem rotulados como obscenos pelo Serviço Postal dos Estados Unidos.[4]
As suas histórias também apresentavam momentos de sátira política contemporânea, parodiando as famílias de figuras republicanas como Spiro Agnew, Richard Nixon e Ronald Reagan.
Estilo
[editar | editar código]As ilustrações eram caracterizadas frequentemente por homens musculosos e peludos, vestindo roupas justas e reveladoras, se é que usavam alguma roupa.
Publicações
[editar | editar código]Harry Chess foi criado por Allen J. Shapiro (1932–1987),[2] sob o pseudônimo de A. Jay, em novembro de 1964 na revista Drum, uma publicação homófila. Ganhando ímpeto, o personagem tornou-se pouco depois o protagonista da saga Harry Chess: That Man from AUNTIE, que começou a ser publicado na mesma revista em março de 1965 e terminou em 1966.[1] As primeiras tiras, editadas pelo editor Clark Polak, foram reimpressas numa coleção intitulada The Uncensored Adventures of Harry Chess 0068 7/8: That Man from AUNTIE (1966).
Após a revista Drum ter encerrado a sua publicação, as histórias do personagem continuaram a ser publicadas na revista Queen's Quarterly.[5]
Em 1977, a série foi introduzida na revista Drummer, onde Shapiro atuou como diretor de arte.[1]
As histórias foram reimpressas em vários volumes da série Meatmen da Leyland Publications na década de 1980.[3]
Legado
[editar | editar código]Harry Chess foi uma importante parte do movimento de libertação gay. O editor de Drum, Clark Polak, queria "colocar o 'sexo' de volta em 'homossexual'"[1] e usou a história de Harry Chess para fazer exatamente isso.
Harry Chess “serviu também como um emblema de transgressão política”.[6] A história de banda desenhada era conhecida pelas suas farpas políticas, trocadilhos ridículos, piadas judaicas e erros de ortografia.
Referências
[editar | editar código]- ↑ a b c d e f g Michael J. Murphy (março de 2014). «The Lives and Times of Harry Chess». The Gay & Lesbian Review. Consultado em 9 de agosto de 2015
- ↑ a b James Snidle. «the drawings of Al "A. Jay" Shapiro». Consultado em 9 de agosto de 2015. Arquivado do original em 10 de setembro de 2015
- ↑ a b c Drewey Wayne Gunn (2013). The Gay Male Sleuth in Print and Film: A History and Annotated Bibliography. [S.l.]: Rowman & Littlefield
- ↑ Murphy, Michael (março–abril de 2014). «The Life and Times of Harry Chess». The Gay & Lesbian Review: 22–24
- ↑ Jack Fritscher (agosto de 1987). «AL SHAPIRO, A. JAY, & HARRY CHESS: CONFESSIONS OF A COMIC STRIPPER». Drummer. Consultado em 9 de agosto de 2015
- ↑ Booker, Marvin Keith (2014). Comics through Time: A History of Icons, Idols, and Ideas. [S.l.]: Greenwood