Augustasaurus
Augustasaurus é um gênero extinto de sauropterígios que viveu durante o estágio Anisiano do Triássico Médio no que é hoje a América do Norte. Apenas uma espécie é conhecida, A. hagdorni, descrita em 1997 a partir de fósseis descobertos na formação Favret [en], Nevada, EUA. Augustasaurus é um pistossauroide estimado em 2,5 a 3 metros de comprimento. O crânio possui dentes em forma de presas, indicando uma dieta de peixes e lulas. Sua anatomia pós-cranial é semelhante à dos futuros plesiossauros, com os quais compartilha visivelmente um ancestral comum de acordo com as análises filogenéticas mais recentes. A formação Favret, da qual Augustasaurus é conhecido, contém numerosos fósseis de répteis marinhos que datam do Triássico Médio. Os fósseis incluem principalmente ictiossauros, sendo Augustasaurus o único sauropterígio identificado na área.
Augustasaurus
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| Ocorrência: Triássico Médio, Anisiano Superior, 244,6–242 Ma | |||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||
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| Espécie-tipo | |||||||||||||||
| †Augustasaurus hagdorni Sander et al., 1997 | |||||||||||||||
Augustasaurus é um gênero extinto de sauropterígios que viveu durante o estágio Anisiano do Triássico Médio no que é hoje a América do Norte. Apenas uma espécie é conhecida, A. hagdorni, descrita em 1997 a partir de fósseis descobertos na formação Favret [en], Nevada, EUA.
Augustasaurus é um pistossauroide estimado em 2,5 a 3 metros de comprimento. O crânio possui dentes em forma de presas, indicando uma dieta de peixes e lulas. Sua anatomia pós-cranial é semelhante à dos futuros plesiossauros, com os quais compartilha visivelmente um ancestral comum de acordo com as análises filogenéticas mais recentes.
A formação Favret, da qual Augustasaurus é conhecido, contém numerosos fósseis de répteis marinhos que datam do Triássico Médio. Os fósseis incluem principalmente ictiossauros, sendo Augustasaurus o único sauropterígio identificado na área.
Descoberta e nomeação
[editar | editar código]O primeiro fóssil conhecido de Augustasaurus foi descoberto em 1993 no desfiladeiro Muller, nas montanhas Augusta localizadas em Nevada, Estados Unidos. Foi escavado no membro fossil Hill da formação Favret, um local que data do Anisiano Superior ao Triássico Médio. O fóssil consiste em um esqueleto parcial, catalogado como FMNH PR 1974, tendo sido parcialmente destruído devido à erosão. Após análise, os paleontólogos Paul Martin Sander, Olivier Cedric Rieppel e Hugo Bucher o estabeleceram como o holótipo de um novo gênero e espécie sob o nome Augustasaurus hagdorni. O nome do gênero é uma combinação de Augusta e da palavra grega antiga saûros ("lagarto"), significando "lagarto de Augusta", em referência à sua localidade-tipo. O nome específico foi dado em homenagem ao paleontólogo alemão Hans Hagdorn, que participou com a equipe de descrição na pesquisa de numerosos répteis marinhos europeus que viveram durante o Triássico.[1]
No artigo de 1997, os autores mencionam que o esqueleto não estava completamente preparado e, portanto, foi apenas parcialmente descrito.[1] Um segundo estudo sobre o táxon foi publicado em 2002, desta vez focado no crânio, que foi recuperado pouco depois da descoberta do esqueleto pós-cranial parcial. O crânio e o esqueleto pós-cranial fazem parte do mesmo indivíduo.[2]
Descrição
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Augustasaurus media entre 2,5 e 3 metros de comprimento e pesava 100 kg.[1][3] Seu crânio compartilha muitas características gerais com seu parente, Pistosaurus, como arcos temporais superiores altos e em forma de lâmina. O rostro alongado do crânio afunila em uma ponta romba, os dentes pré-maxilares e maxilares anteriores foram descritos como "semelhantes a presas", e o esquamosal forma um suspensorium em forma de caixa.[2]
Os espinhos neurais dorsais de Augustasaurus são baixos com topos rugosos.[4] Seus coracoides são grandes placas semelhantes às de outros plesiossauros. No entanto, os forames coracoides estão ausentes em Augustasaurus, de forma semelhante ao que ocorre no pistossauroide Corosaurus.[5] Suas costelas cervicais possuem processos anteriores e, como a maioria dos plesiossauros, as vértebras de Augustasaurus possuem "processos transversos espessados".[6]
Classificação
[editar | editar código]Augustasaurus pertence ao clado Pistosauroidea, um grupo de sauropterígios que inclui os ancestrais dos famosos plesiossauros.[7][8] As primeiras descrições colocaram Augustasaurus na proposta família Pistosauridae [en], classificado como um táxon irmão do gênero tipo Pistosaurus [en].[1][2][9] No entanto, a monofilia entre os dois gêneros não foi mais sustentada por Cheng et al. (2006), onde passou a ser classificado como o táxon irmão de Plesiosauria.[7] Um estudo de 2011 liderado por Hilary F. Ketchum e Roger B. J. Benson apresenta um resultado cladístico semelhante.[8]
Abaixo está um cladograma das relações dos pistossauroides de Ketchum & Benson, 2011:[8]
| Pistosauroidea |
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Paleobiologia
[editar | editar código]Com seu pescoço longo, cabeça pequena e dentes em forma de presas, Augustasaurus teria se alimentado de peixes e lulas, da mesma forma que outros pistossauroides.[3]
Paleoecologia
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Augustasaurus é conhecido da formação Favret [en], que, junto com a formação Prida [en], constitui uma das formações geológicas reconhecidas do grupo Star Peak [en], localizado em Nevada. Essas duas formações estão ligadas por um único membro, conhecido como membro fóssil Hill. Na formação Prida, este membro aflora a oeste da cordilheira Humboldt [en] e se estende até a formação Favret, aflorando nas montanhas Augusta,[10] onde chega a ter mais de 300 metros de largura.[11][3] Embora sejam vizinhas, as duas formações não têm precisamente a mesma idade, sendo a de Prida datada do Anisiano Médio, enquanto a de Favret data do Anisiano Superior,[11] entre aproximadamente 244 e 242 milhões de anos atrás.[3]
A presença significativa de répteis marinhos, amonites e outros invertebrados no membro fóssil Hill indica que as águas superficiais eram bem aeradas,[12] mas há pouca presença animal nas zonas bênticas, com a notável exceção de bivalves da família Halobiidae. Os fósseis encontrados mostram que a unidade estratigráfica já foi um ecossistema pelágico com uma teia alimentar estável. Osteichthyes são pouco conhecidos e, atualmente, só foram descobertos na formação Favret. Entre os peixes descobertos estão os actinopterígios Saurichthys e um representante indeterminado,[13] enquanto entre os sarcopterígios, numerosos espécimes de celacantídeos [en] indeterminados são conhecidos.[3] Os répteis marinhos mais abundantes do membro fóssil Hill são os ictiossauros, incluindo o superpredador Thalattoarchon, Phalarodon [en], Omphalosaurus e o grande Cymbospondylus. Poucos outros répteis marinhos são conhecidos do membro fóssil Hill, sendo o único claramente identificado o próprio sauropterígio Augustasaurus.[14][3]
Referências
- ↑ a b c d P. Martin Sander; Olivier C. Rieppel; Hugo Bucher (1997). «A new pistosaurid (Reptilia: Sauropterygia) from the Middle Triassic of Nevada and its implications for the origin of the plesiosaurs». Journal of Vertebrate Paleontology. 17 (3): 526-533. Bibcode:1997JVPal..17..526S. JSTOR 4523833. doi:10.1080/02724634.1997.10010999
- ↑ a b c Olivier Rieppel; P. Martin Sander; Glenn W. Storrs (2002). «The skull of the pistosaur Augustasaurus from the Middle Triassic of northwestern Nevada». Journal of Vertebrate Paleontology. 22 (3): 577-592. JSTOR 4524251. doi:10.1671/0272-4634(2002)022[0577:TSOTPA]2.0.CO;2
- ↑ a b c d e f P. Martin Sander; Eva Maria Griebeler; Lars Schmitz (2021). «Supplementary Materials for Early giant reveals faster evolution of large body size in ichthyosaurs than in cetaceans» (PDF). Science. doi:10.1126/science.abf5787
- ↑ O'Keefe 2001, p. 52.
- ↑ O'Keefe 2001, p. 5.
- ↑ O'Keefe 2001, p. 51.
- ↑ a b Yen-Nien Cheng; Tamaki Sato; Xiao-Chun Wu; Chun Li (2006). «First complete pistosauroid from the Triassic of China». Journal of Vertebrate Paleontology. 26 (2): 501-504. JSTOR 4524593. doi:10.1671/0272-4634(2006)26[501:FCPFTT]2.0.CO;2
- ↑ a b c Hilary F. Ketchum; Roger B. J. Benson (2011). «A new pliosaurid (Sauropterygia, Plesiosauria) from the Oxford Clay Formation (Middle Jurassic, Callovian) of England: Evidence for a gracile, longirostrine grade of Early-Middle Jurassic pliosaurids». Special Papers in Palaeontology. 86: 109-129
- ↑ O'Keefe 2001, p. 3, 9.
- ↑ Nichols & Silberling 1977, p. 20.
- ↑ a b Nicole Klein; Lars Schmitz; Tanja Wintrich; P. Martin Sander (2020). «A new cymbospondylid ichthyosaur (Ichthyosauria) from the Middle Triassic (Anisian) of the Augusta Mountains, Nevada, USA». Journal of Systematic Palaeontology. 18 (14): 1167–1191. doi:10.1080/14772019.2020.1748132
- ↑ Nichols & Silberling 1977, p. 18.
- ↑ P. Martin Sander; Olivier C. Rieppel; H. Bucher (1994). «New Marine Vertebrate Fauna from the Middle Triassic of Nevada». Journal of Paleontology. 68 (3): 676–680. JSTOR 1306213. doi:10.1017/S0022336000026020
- ↑ P. Martin Sander; Eva Maria Griebeler; Nicole Klein; Jorge Velez Juarbe; Tanja Wintrich; Liam J. Revell; Lars Schmitz (2021). «Early giant reveals faster evolution of large body size in ichthyosaurs than in cetaceans». Science. 374 (6575). PMID 34941418. doi:10.1126/science.abf5787
Bibliografia
[editar | editar código]- Nichols, Kathryn M.; Silberling, Norman J. (1977). Stratigraphy and depositional history of the Star Peak Group (Triassic), northwestern Nevada. 175-178. Boulder: Geological Society of America, Special Papers. p. 73. ISBN 978-0-813-72178-1. doi:10.1130/SPE178-p1
- O'Keefe, F. Robin (2001). «A cladistic analysis and taxonomic revision of the Plesiosauria (Reptilia: Sauropterygia)». ActaZoologica Fennica. 213: 1-63